Foto Crédito: Ágatha Depiné/Unsplash
Nos próximos dias, o pontífice passa por exames pós-operatórios e pela análise do material retirado; estágio da doença e eventual tratamento complementar não foram divulgados
O papa Leão XIV deve permanecer cerca de uma semana internado no Hospital Gemelli, em Roma, e passará nos próximos dias por exames pós-operatórios e pela análise do material retirado na cirurgia desta terça-feira (13), quando teve removido o lobo inferior do pulmão direito. A Sala de Imprensa da Santa Sé informou que o exame feito durante a operação confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, já suspeitado nos exames anteriores. Um novo boletim, com informações sobre a noite do pontífice e os primeiros resultados, está previsto para esta quarta-feira (14).
O que o Vaticano informou
Segundo o comunicado, assinado pelo dr. Luigi Carbone e pelo prof. Stefano Margaritora, a cirurgia durou cerca de 90 minutos e usou técnica videoassistida. O papa ficou cerca de três horas na sala de cirurgia, acordou normalmente e voltou ao quarto, no 10º andar. O texto afirma que a operação foi bem-sucedida e sem complicações. A equipe cirúrgica foi coordenada por Margaritora, e a de anestesia, pelo Prof. Massimo Antonelli.
O comunicado diz que o lobo foi removido “para assegurar a radicalidade da intervenção”. Segundo o Vatican News, o termo indica que o objetivo era retirar tudo o que havia sido identificado, sem deixar tecido tumoral. O diretor da Sala de Imprensa, Matteo Bruni, contou que, ao voltar ao quarto, o papa pediu o jantar.
O comunicado não informa o estágio da doença, se há comprometimento de linfonodos, o estado das margens cirúrgicas nem se haverá tratamento complementar. O diagnóstico divulgado vem do exame feito durante a cirurgia. A análise completa do material ainda será realizada.
Por que a análise do material importa
Em explicação geral, sem relação com o atendimento ao papa, o oncologista William Nassib William Jr., da rede Oncoclínicas, afirma que saber o estágio da doença é essencial para escolher o tratamento e estimar as chances de controle. Segundo ele, depois da cirurgia o material retirado é examinado para determinar a extensão do tumor, as margens cirúrgicas e a presença de células cancerígenas nos linfonodos. Esses resultados indicam se a operação basta ou se há indicação de quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo. Em outros casos, a cirurgia é seguida apenas de acompanhamento periódico. “Não existe uma única conduta aplicável a todos os pacientes”, diz.
O que é o adenocarcinoma de pulmão
O câncer de pulmão se divide em carcinoma de não-pequenas células, que responde pela maioria dos casos, e carcinoma de pequenas células, geralmente associado a comportamento mais agressivo. O adenocarcinoma pertence ao primeiro grupo e se origina em células glandulares, que produzem substâncias como o muco. Segundo o oncologista, é hoje o subtipo mais frequente.
O cigarro é o principal fator de risco, mas não o único. A fumaça de tabaco em ambientes fechados, a poluição do ar e o contato profissional com amianto e sílica também contribuem. O tumor aparece ainda em pessoas que nunca fumaram, caso em que a análise das características moleculares pode pesar na escolha do tratamento.
Como o tratamento é definido
Nos tumores localizados, a cirurgia pode ter intenção curativa, desde que as condições do paciente e as características da lesão permitam. A lobectomia, que retira o lobo onde está o tumor, é uma das técnicas. A escolha depende do tamanho e da localização da lesão, da avaliação dos linfonodos e da capacidade respiratória. Quando a doença atingiu estruturas próximas ou linfonodos, o tratamento pode combinar várias modalidades. Nos casos com metástase, o foco costuma ser controlar a doença, ampliar a sobrevida e preservar a qualidade de vida.
A investigação de alterações genéticas e moleculares ampliou as opções. A terapia-alvo atua sobre mecanismos específicos do tumor, a imunoterapia estimula o sistema imunológico a combatê-lo e a quimioterapia segue como alternativa, isolada ou combinada. A escolha depende do estágio, das condições clínicas e dos exames moleculares.
Sintomas e rastreamento
A doença pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem, incluem tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, sangue no escarro, cansaço e perda de peso sem causa aparente. Esses sinais também ocorrem em outras condições, mas, se persistirem, merecem avaliação médica, sobretudo em quem tem fatores de risco. Alguns tumores são descobertos por acaso, em exames de imagem pedidos por outro motivo.
Para pessoas de risco elevado, a tomografia de tórax com baixa dose de radiação pode ser usada como rastreamento, segundo critérios clínicos. O exame não é indicado a toda a população.
Números no Brasil
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 35.380 casos novos de câncer de traqueia, brônquio e pulmão por ano no triênio 2026-2028: 18.730 entre homens e 16.650 entre mulheres.

