Navi Pillay, então alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, durante coletiva de imprensa em Genebra, em 19 de janeiro de 2011. Crédito da foto: David McCreery/UN Photo via Flickr, CC BY-NC-ND 2.0. Sem alterações.
A lista dos laureados dos prêmios Nobel de 2026 foi concluída nesta segunda-feira (12), com o anúncio dos vencedores da categoria de Ciências Econômicas. Ao todo, foram reconhecidas onze pessoas em seis premiações: Medicina ou Fisiologia, Física, Química, Literatura, Paz e Ciências Econômicas — esta última, tecnicamente, o Prêmio do Banco da Suécia em Memória de Alfred Nobel.
O Nobel da Paz foi concedido à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, “por seus esforços em favor da paz e do direito internacional”. O anúncio foi feito em 9 de outubro, e a entrega está marcada para 10 de dezembro, em Oslo, com medalha, diploma e 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões.
Pillay chega à premiação no centro de uma disputa política. Horas depois de seu nome ser anunciado, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), instituição da qual ela foi juíza. As medidas incluem restrições a transações de empresas e pessoas americanas com a corte e atingem o tribunal como instituição, além de funcionários já sancionados.
A laureada criticou as sanções e defendeu a independência judicial. “É inédito e inaceitável que um único país anuncie sanções contra juízes apenas pelas ordens judiciais que emitem”, afirmou Pillay, segundo a BBC.
Trump reagiu à escolha com críticas ao Comitê Norueguês do Nobel. O governo israelense também rejeitou a premiação: o escritório do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, afirmou que o comitê “perdeu sua bússola moral”, enquanto o Ministério das Relações Exteriores disse que a decisão não representava um reconhecimento de justiça. Israel rejeita as conclusões da comissão da ONU que Pillay presidiu sobre os territórios palestinos ocupados, a qual concluiu, em 2025, que Israel cometeu atos genocidas em Gaza.
Quem é a laureada
Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay construiu carreira como advogada de direitos humanos durante o apartheid. Depois, atuou no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, foi juíza do TPI e presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre os territórios palestinos ocupados. Também foi Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.
O Comitê Norueguês do Nobel destacou seu papel no fortalecimento da ordem jurídica internacional e no uso de tribunais para promover paz e justiça. Com a conquista, Pillay tornou-se a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, entre 144 laureados da história da categoria.
Os demais premiados
| Categoria | Laureados | Motivação divulgada |
|---|---|---|
| Medicina ou Fisiologia | Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel | Pesquisas sobre canais iônicos ativados pela luz e desenvolvimento da optogenética. |
| Física | Francis Halzen | Contribuições ao Observatório de Neutrinos IceCube e à detecção de neutrinos astrofísicos de alta energia. |
| Química | Henri B. Kagan e Kenso Soai | Trabalhos sobre efeitos não lineares e autocatálise na síntese orgânica assimétrica. |
| Literatura | Anne Carson | Obra poética e ensaística descrita como ousada e inventiva, em diálogo com a tradição clássica. |
| Paz | Navi Pillay | Esforços em favor da paz e do direito internacional. |
| Ciências Econômicas | Robert E. Hall e Michael Woodford | Estudos sobre as bases microeconômicas da estabilização macroeconômica. |

