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Resultado das eleições de meio de mandato muda o equilíbrio de poder em Washington; governos de vários países reagem com cautela
Em janeiro, os democratas assumem o controle da Câmara dos Deputados e do Senado dos Estados Unidos e terão poder para investigar o governo, barrar nomeações e bloquear projetos do presidente Donald Trump nos dois últimos anos de seu mandato. O resultado saiu das eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), em que os americanos renovaram toda a Câmara e parte do Senado. A contagem ainda estava em andamento na quarta-feira (4), e os números abaixo podem mudar.
O que se sabe sobre o resultado
Segundo a agência AP, os democratas ficaram com a Câmara. A NBC News contou 218 vagas confirmadas, o mínimo para a maioria, e uma estimativa da MS NOW apontava ao menos 250.
No Senado, os republicanos tinham 53 das 100 cadeiras. A CNN projetou que os democratas ficariam com ao menos 51, o necessário para o controle. Eles tiraram dos republicanos vagas em Ohio, Iowa, Carolina do Sul, Maine, Carolina do Norte, Kansas e Texas. Na manhã de quarta, uma contagem somava 54 cadeiras democratas contra 44 republicanas. No Texas, o democrata James Talarico venceu o republicano Ken Paxton. No Maine, a senadora Susan Collins perdeu depois de quase 30 anos no cargo.
Também foram eleitos o democrata Abdul El-Sayed, em Michigan, que será o primeiro senador muçulmano da história dos EUA, e o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, deve virar o primeiro presidente negro da Câmara. Para isso, ele precisa ser eleito pelos deputados em janeiro.
Por que os democratas ganharam
Segundo a imprensa americana, o resultado foi visto como uma reprovação de Trump. A eleição foi marcada por tarifas, preços altos e a guerra no Irã. Uma pesquisa feita com eleitores na saída das urnas indica que a maioria culpa o governo pelos custos de vida e quer mais freios ao presidente.
O que Trump disse
Trump disse ao jornal The New York Times que aceita o resultado e que espera trabalhar com os democratas. Segundo a CNBC, ele afirmou que eles fizeram um bom trabalho. Ao mesmo tempo, culpou os candidatos republicanos e a Fox News pelas derrotas, nas redes sociais. Também publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “VETO”. Antes da eleição, ele havia dito que vetaria tudo o que viesse de um Congresso democrata.
O que muda em Washington
Os democratas prometem agir rápido sobre o custo de vida e a guerra no Irã. Jeffries quer um pacote de medidas nas primeiras 100 horas e disse que vai investigar “corrupção sem precedentes” no governo. Também há interesse em investigar os arquivos do caso Jeffrey Epstein.
Mas aprovar leis será mais difícil do que abrir investigações. A maioria dos projetos precisa de 60 votos no Senado, e o presidente pode vetar o que for aprovado. Derrubar um veto exige dois terços dos votos nas duas Casas. Os democratas também podem usar os prazos do orçamento federal para pressionar o governo, o que aumenta o risco de paralisação da máquina pública.
Como o mundo está reagindo
Governos e políticos de vários países reagiram, de olho em comércio, segurança e preço da energia.
- Europa: a vice-presidente do Parlamento Europeu, Christel Schaldemose, disse estar “cautelosamente otimista” pela Europa, porque o resultado pode ajudar o apoio à Ucrânia e a transição verde. O ministro francês da Economia, Roland Lescure, disse que a França vai esperar para ver se Trump muda de rumo. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que os eleitores rejeitaram políticas que empobrecem as pessoas. Já o primeiro-ministro tcheco, Andrej Babiš, previu impeachment, vetos e paralisia.
- China: a porta-voz Mao Ning disse que a eleição é assunto interno dos EUA e que Pequim quer manter uma “relação estratégica construtiva”.
- Rússia: o vice-chanceler Serguei Riabkov disse que a liderança democrata tem uma visão “muito negativa” das relações com Moscou e que isso não é novidade.
- Irã: o principal negociador do país afirmou que os eleitores deram uma mensagem de “NÃO À GUERRA”.
- África do Sul: o presidente Cyril Ramaphosa disse que o resultado vai “introduzir uma nova era nas relações mundiais”. Seu país enfrenta tensões comerciais com os EUA.
- Taiwan: o governo disse que continuará a aprofundar a cooperação com Washington.
Nos mercados, os contratos futuros das bolsas americanas se recuperaram de perdas da noite.

