Foto Envato/Assessoria Imprensa Anvisa
Medicamento é tomado uma vez ao dia, em jejum; estudo mostrou perda média de peso de mais de 13% em 64 semanas
Adultos com obesidade ou sobrepeso e problemas de saúde ligados ao peso poderão, em breve, tratar a doença com um comprimido diário em vez da injeção. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (4) o registro do Wegovy (semaglutida) para uso por via oral. Até agora, o medicamento só existia no Brasil como injeção aplicada sob a pele. A Anvisa não informou o preço nem quando o comprimido chegará às farmácias. Para se ter uma ideia, nos EUA, as doses iniciais foram lançadas a US$ 149 por mês (cerca de 800 reais).
Para quem é indicado
Segundo a Anvisa, o comprimido é indicado para adultos com obesidade (índice de massa corporal, o IMC, igual ou maior que 30) e para adultos com sobrepeso (IMC de 27 a menos de 30) que tenham pelo menos uma doença relacionada ao peso. O uso deve vir junto com uma dieta de poucas calorias e atividade física. A semaglutida atua na regulação do apetite e da quantidade de comida ingerida, o que ajuda a reduzir o peso e a melhorar indicadores metabólicos.
Segundo a agência, este é o primeiro medicamento desse tipo, da família dos agonistas do hormônio GLP-1, em comprimido aprovado no país para tratar a obesidade.
Como se toma
O tratamento começa com doses menores e aumenta aos poucos: 1,5 mg, depois 4 mg e 9 mg, até chegar à dose de manutenção recomendada, de 25 mg por dia. O comprimido deve ser tomado em jejum, com um pouco de água, e é preciso esperar pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou tomar outros remédios.
A bula aprovada prevê a possibilidade de trocar entre o comprimido e a injeção quando houver indicação médica. Para a Anvisa, isso dá mais flexibilidade a pacientes e profissionais de saúde.
O que mostrou o estudo
A aprovação se baseou principalmente no estudo OASIS 4, de fase 3, com adultos com obesidade ou sobrepeso e doenças associadas. Os participantes foram acompanhados por 64 semanas. Segundo a Anvisa, quem usou o remédio perdeu em média mais de 13% do peso corporal, resultado melhor que o do grupo que recebeu placebo. O tratamento também melhorou vários indicadores de saúde do coração e do metabolismo.
O que ainda não se sabe
O comunicado não informa o preço, a data de lançamento nem se o remédio será oferecido pelo SUS ou por planos de saúde. Também não traz os efeitos colaterais e as contraindicações. Quem quiser usar o medicamento deve conversar com um médico.
A doença por trás do remédio
A obesidade é uma doença crônica, progressiva e que tem várias causas. Ela aumenta o risco de diabetes tipo 2, pressão alta, colesterol alterado, doenças do coração e apneia do sono, entre outros problemas.
Fonte: Resolução RE nº 4.249/2026, no Diário Oficial da União. Com informações da Anvisa.

