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Meta faz parte de estratégia de cinco anos para detectar surtos antes que virem epidemias; prazo atual de detecção e financiamento não foram divulgados
Até 2030, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pretende que qualquer país consiga detectar e entender, em no máximo 24 horas, o surgimento de uma nova ameaça à saúde, como um vírus desconhecido ou um surto de doença. A meta orienta a nova estratégia de cinco anos do Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias da entidade, anunciada ontem, 11, na abertura da Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim. A OMS não informou qual é hoje o tempo médio de detecção nos países, nem o orçamento necessário para cumprir a meta.
O objetivo, segundo a organização, é conter surtos antes que se espalhem e se tornem epidemias maiores ou cheguem a outros países. Para isso, a OMS diz que será preciso investimento contínuo, parcerias e cooperação entre setores e fronteiras, sem detalhar valores.
O centro foi criado em 2021, com apoio do governo alemão, depois que a pandemia de covid-19 expôs falhas na capacidade mundial de identificar e responder a emergências sanitárias. Segundo a OMS, ele trabalha com 160 países-membros, 190 organizações parceiras e milhares de cientistas e gestores públicos. O diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a estratégia busca unir governos e parceiros para que todos os países respondam rapidamente a ameaças antes que virem grandes crises.
As cinco frentes de trabalho
A estratégia se apoia em cinco iniciativas, quatro já em andamento e uma nova:
- Monitoramento de fontes abertas (EIOS): plataforma que usa inteligência artificial para analisar, todos os dias, milhares de fontes públicas e identificar sinais de ameaças à saúde. Segundo a OMS, reúne mais de 4 mil especialistas e é usada por mais de 125 países e 30 organizações regionais e internacionais.
- Rede Internacional de Vigilância de Patógenos (IPSN): reforça a capacidade de sequenciar o material genético de micro-organismos e analisar os dados, o que, de acordo com a entidade, ajuda a acelerar o desenvolvimento de testes, tratamentos e vacinas.
- Laboratório de Colaboração: conecta mais de 2 mil especialistas em modelagem e ciência de dados, que podem ser mobilizados quando surge uma nova ameaça.
- Iniciativa de Vigilância Colaborativa: está sendo implantada em mais de 83 países e apoia instituições e equipes nacionais na detecção de ameaças, com abordagem de “Saúde Única”, que considera de forma integrada a saúde de pessoas, animais e meio ambiente.
- Facilitadores Digitais para Inteligência em Saúde Pública (novo programa): deve criar sistemas digitais seguros para que países e parceiros compartilhem e analisem dados, com uso responsável de inteligência artificial. A OMS não detalhou como será garantida a segurança dessas informações.

