São Paulo (SP), 25/10/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala com eleitores após a vitória e reeleição nas Eleições 2026, na avenida Paulista. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
Reeleito com 51,79% dos votos válidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a preparar a transição para o quarto mandato diante de dois desafios imediatos: a contestação judicial anunciada por Flávio Bolsonaro (PL) e a reação negativa dos mercados à vitória. Até o momento, o resultado foi reconhecido por ao menos 48 líderes estrangeiros, mas os Estados Unidos e a Argentina não haviam se manifestado publicamente até a manhã desta segunda-feira (26).
O novo mandato começa em 1º de janeiro de 2027 e vai até 31 de dezembro de 2030. Nos próximos dias, a articulação política deverá se concentrar na formação da equipe econômica, nas negociações com o Congresso e na resposta institucional ao recurso anunciado pela campanha derrotada.
Resultado
Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos. Geraldo Alckmin (PSB) foi reeleito vice-presidente na chapa vencedora. Lula venceu o segundo turno após ter terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. A apuração foi concluída às 23h21 de domingo (25). O novo mandato de Lula será o quarto de sua carreira presidencial.
Prorrogação da votação
A votação, prevista para terminar às 17h, foi prorrogada por duas horas, até as 19h, em todo o país. A decisão foi do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), baseada em pedidos de prorrogação apresentados pelas campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro. As duas alegaram dificuldades de deslocamento de eleitores associadas a chuvas, alagamentos, falta de energia e redução do transporte público em diferentes regiões.
Segundo a cronologia publicada pela Deutsche Welle (DW), emissora pública internacional da Alemanha, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu primeiro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação, citando chuvas, alagamentos e dificuldades de deslocamento em municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Com a demora na decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, a campanha de Lula apresentou pedido semelhante ao STF.
De acordo com a DW, a petição que chegou ao Supremo foi encaminhada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, ao ministro Cristiano Zanin, que determinou a extensão do horário de votação.
Em nota de esclarecimento, Zanin informou que a prorrogação valeria apenas para seções em que as urnas ainda não haviam sido fechadas. O TSE orientou que urnas já encerradas com emissão do boletim de urna não poderiam ser reabertas.
Contestação eleitoral
Flávio Bolsonaro declarou que não reconheceria o resultado e anunciou que recorrerá à Justiça Eleitoral. Ele questiona a legalidade da prorrogação e afirmou que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre do tribunal. Segundo a Corte, a sala-cofre não é aberta à visitação e que os fiscais acompanharam o Teste de Integridade das Urnas e a totalização dos resultados na Sala de Totalização.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a segurança do processo eleitoral não foi comprometida, embora a prorrogação tenha gerado dificuldades operacionais.
Até a conclusão desta reportagem, não havia registro público de petição específica pedindo a anulação do resultado do segundo turno. Especialistas ouvidos pela ConJur avaliaram que um eventual pedido de anulação não poderia alcançar a totalidade do segundo turno, mas apenas votos comprovadamente registrados após as 17h.
Votos após as 17h
Segundo levantamento do site g1 com base nos logs das urnas, 35.521 votos foram registrados após as 17h, horário original de encerramento da votação. O número corresponde a 0,8% da diferença de 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Uma outra matéria, do Extra/Globo, informa que parte desses votos pode se referir a eleitores que já estavam na fila antes das 17h e concluíram o voto depois. Portanto, o dado deve ser lido como votos registrados após o horário original, e não como votos causados pela prorrogação.
Repercussão internacional
Ao menos 48 líderes estrangeiros cumprimentaram Lula pela reeleição até a manhã desta segunda-feira, segundo levantamento do UOL. Entre eles estão o presidente francês, Emmanuel Macron; o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez; a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi; o primeiro-ministro canadense, Mark Carney; e a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
A China e a Rússia também reconheceram a vitória. O presidente do Chile, José Antonio Kast, telefonou a Lula, e a peruana Keiko Fujimori destacou a cooperação econômica e a proteção da Amazônia.
Reação dos mercados
Na abertura do pregão desta segunda-feira, o Ibovespa chegou a cair cerca de 17%, levando a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações.
O dólar chegou a R$ 5,60 na manhã de hoje, alta de 12,52% em relação ao fechamento de sexta-feira.
Parte das perdas da Bolsa foi recuperada ao longo do dia. Às 15h41, o Ibovespa registrava queda de 15,54%, a 173.215 pontos.
Analistas ouvidos pela imprensa atribuíram a movimentação à reprecificação de ativos após o resultado eleitoral e à expectativa quanto à política econômica do próximo governo.

