Foto Crédito: Yamu_Jay/Pixabay
Para esfriar, o mundo terá de reduzir muito a poluição que aquece a Terra.
E as promessas dos países, se cumpridas, não bastam
O mundo deve passar do limite de aquecimento considerado seguro: 1,5°C a mais do que no tempo anterior às indústrias. O aviso vem do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em seu último relatório. O que ainda dá para mudar é por quanto tempo o planeta ficará acima do limite e a que temperatura. Quanto mais tempo e mais calor, maiores os estragos.
O alerta foi divulgado em 21 de outubro, pouco antes da COP31, a grande reunião da ONU sobre o clima, marcada para 9 a 20 de novembro, na Turquia.
O melhor cenário possível
Segundo a ONU, o melhor cenário possível é este: o planeta esquenta no máximo entre 1,7°C e 1,8°C e depois esfria, até voltar a 1,5°C ou menos até 2100. Mesmo assim, a chance de isso dar certo é de cerca de 50%.
Para isso, o mundo teria de poluir bem menos. A poluição que esquenta a Terra vem, principalmente, da queima de carvão, petróleo e gás. Em comparação com 2025, ela teria de cair:
- quase um quinto até 2030;
- quase a metade até 2035;
- mais de dois terços até 2040.
Seria preciso também tirar gás carbônico do ar ao longo do século.
O que os países prometeram
Cada país fez as próprias promessas para reduzir a poluição. Mesmo que todas fossem cumpridas, a poluição cairia menos de um décimo até 2030. O planeta ficaria 2,6°C mais quente do que antes das indústrias, bem acima do limite de 1,5°C.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que “ultrapassar a meta não significa desistir”.
O que isso pode mudar na vida das pessoas
Segundo a ONU, quanto mais quente o planeta, mais chances de:
- dias de calor extremo mais frequentes;
- incêndios florestais;
- nível do mar mais alto;
- morte de corais;
- derretimento de gelo, o que pode diminuir a água potável em alguns lugares.
Os efeitos mudam de região para região.
O que já funcionou
Há boas notícias. A energia renovável, como a solar e a eólica, cresceu rápido nos últimos dez anos. O uso de carvão e petróleo cresceu menos do que o previsto. Entre mais de 220 medidas analisadas, as do setor de energia elétrica reduziram a poluição, em média, em 9%. Impostos sobre a poluição e sistemas de compra e venda do direito de poluir cortaram entre 5% e 13%. O problema é que isso aconteceu só em alguns países e setores.
A diretora do PNUMA, Inger Andersen, disse que agora cabe aos países adotar medidas rápidas e duradouras. Os governos se reúnem na COP31 a partir de 9 de novembro.
(*) Fontes: Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026: O Ponto de Retorno, do PNUMA. Com informações da Agência Brasil.

