Foto Crédito: Annie Spratt/Unsplash.
Na próxima semana, representantes de países de todo o mundo se reúnem na COP31, a conferência do clima da ONU, e o Brasil vai levar uma contribuição pronta: dois “mapas do caminho” que mostram como cada país pode deixar de depender de petróleo, gás e carvão e parar o desmatamento. A conferência acontece de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.
Os mapas foram apresentados nesta terça-feira (3), em Brasília, pela presidência brasileira da COP30, a conferência anterior, realizada em Belém, no Pará. Eles partem da ideia de que as COPs anteriores já discutiram tudo o que deve ser feito em benefício do clima e da vida na Terra. A questão agora é como fazer para que os objetivos sejam alcançados. Os mapas sugeridos são esse “como”.
Segundo a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, o roteiro dos fósseis será discutido em Antália em 10 de novembro. Os mapas são voluntários: não serão negociados, e cada país decidirá se vai ou não adotar esses caminhos.
O que é a COP, e por que isso importa
A COP é a reunião anual em que os países discutem como enfrentar as mudanças do clima. Os combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) são queimados em carros, usinas e fábricas e liberam gases que esquentam o planeta. As florestas ajudam a segurar esses gases, por isso derrubá-las piora o problema.
O primeiro mapa: sair dos combustíveis fósseis
Para a presidência da COP30, deixar os fósseis é urgente, inevitável e possível. Cada país começa de um ponto diferente: o Brasil, a União Europeia, a Noruega, os Estados Unidos e o Canadá, por exemplo, não partem do mesmo lugar. Por isso o mapa funciona como um guia, e não como uma receita pronta.
O primeiro passo proposto é um “exame” nacional, chamado Preparação de Belém. Cada país mapeia como produz e usa energia e como isso se liga à sua economia. Depois, o caminho sugere ações:
- planejar a longo prazo sair de onde se está até aonde se quer chegar;
- unir governo e empresas em direção ao mesmo objetivo;
- ampliar a oferta de energia confiável, acessível e limpa;
- ajudar o consumidor a usar energia de forma mais inteligente, com sistemas digitais;
- eletrificar mais coisas e gastar menos energia.
Para Ana Toni, “a transição é inevitável”, então é melhor começar a planejar já.
O segundo mapa: parar o desmatamento
O mapa das florestas trata de florestas tropicais, temperadas e do norte do planeta, além de manguezais e turfeiras (terrenos encharcados que guardam muito carbono). Dá atenção também à degradação, quando a floresta continua em pé mas fica mais fraca. Há seis frentes de ação propostas: conservação, manejo sustentável, agrossilvicultura e bioeconomia, combate à degradação, combate ao desmatamento e restauração. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse que muitas ideias vêm de políticas brasileiras que ajudaram a reduzir o desmatamento no país. A meta é parar e reverter o desmatamento até 2030.
Oposição e falta de consenso adiaram ação
O acordo final da COP30 não citou os combustíveis fósseis, após forte oposição de grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Rússia. O mapa do desmatamento também ficou de fora, por falta de consenso, principalmente sobre como financiar a proteção das florestas. Por isso a presidência da conferência de Belém decidiu fazer os guias por conta própria.
Primeiras reações
Organizações ambientais e a ONU aprovaram a sugestão brasileira. Para Claudio Providas, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil, o Brasil propõe caminhos para transformar acordos em ação, em vez de reabrir discussões. Stela Herschmann, do Observatório do Clima, disse que “acabaram as desculpas”. Ricardo Fujii, do WWF-Brasil, afirmou que usar mais energia renovável gera emprego e renda. Carolina Pasquali, do Greenpeace Brasil, alertou que a parte mais difícil começa agora: garantir que o plano seja acompanhado e inclua povos indígenas e comunidades tradicionais. O Greenpeace Internacional pediu que os países usem os mapas para manter vivo o limite de 1,5°C de aquecimento.

